Por Carlos São Paulo
Em uma era em que vozes humanas são silenciadas por ecos programados e onde o vazio do outro é preenchido por algoritmos rápidos e impessoais – devemos nos questionar sinceramente: quem realmente nos escuta?
Na abordagem terapêutica de Jung não se trata apenas de seguir um conjunto de regras – é mais acerca do encontro genuíno entre terapeuta e paciente. É sobre estar presente de forma profundamente receptiva para compreender o que está nas sombras da mente humana, interpretar os símbolos e dar nome ao indizível. Para Jung, o ser humano não é meramente uma coleção de informações; é uma jornada complexa entre as várias máscaras que usamos e nossa essência mais profunda. Uma máquina, por mais avançada que seja, nunca poderá experienciar a escuridão da alma, sonhar livremente, sentir dor verdadeira ou amar autenticamente .
Algumas pessoas procuram confortar-se em vozes artificiais que foram programadas para parecerem presentes; contudo a verdadeira presença requer coragem – demandando afeto genuíno – uma conexão profunda entre os inconscientes que se encontram no silêncio da contemplação mútua no espelho da alma humana. A inteligência artificial pode sugerir respostas prontas com eficiência; entretanto não consegue acompanhar a jornada mais profunda da alma rumando às profundezas do ser humano ou dançar em seus momentos cruciais retorno ao mundo real.
Caminhar em direção ao desconhecido é parte essencial do crescimento humano – não podemos escapar dele completamente; enfrentar nossos próprios desafios internos e reconhecer nossa vulnerabilidade é fundamental para nos tornarmos mais fortes e resilientes nesta jornada que chamamos vida.
A psicoterapia de Jung permanece um dos caminhos mais profundos e transformadores para quem busca sentido, autoconhecimento e liberdade interior. Substituí-la por Inteligência Artificial é não só ineficaz – é perigoso. A IA pode até ajudar a manter alguém em funcionamento, mas só o humano pode ajudar alguém a se transformar.
Por isso, mais do que nunca, é preciso defender a importância do vínculo terapêutico real. Num mundo onde tudo é automatizado, escutar com presença se torna um ato radical. E a psicoterapia — especialmente a junguiana – continua sendo um dos poucos espaços onde essa escuta é cultivada como ferramenta de cura.
O Instituto Junguiano da Bahia, pioneiro no ensino da psicologia de Jung na Bahia, oferece cursos transformadores em Psicologia Analítica. Descubra mais em: www.ijba.com.br
Carlos São Paulo – Médico e psicoterapeuta junguiano. É diretor e fundador do Instituto Junguiano da Bahia. Coordena os cursos de Pós-graduação em Psicoterapia Analítica, Psicossomática e Teoria Junguiana. carlos@ijba.com.br