Compreender as principais concepções filosóficas sobre a natureza humana, desde a Antiguidade até a modernidade, incluindo tradições orientais;
- Integrar fundamentos filosóficos à prática psicológica, ampliando a escuta clínica com uma visão ética, espiritual e existencial do ser humano;
- Refletir criticamente sobre os limites e reducionismos das abordagens psicológicas contemporâneas, reconhecendo a necessidade de uma perspectiva mais profunda e integradora;
- Assumir um compromisso ético com a dignidade e o mistério da vida humana, fundamentando sua atuação profissional em valores humanistas e filosóficos;
- Reconhecer a importância da filosofia como base formativa para uma psicologia que responda às inquietações existenciais e à crise de sentido do mundo contemporâneo.
Este curso propõe um mergulho nas grandes concepções filosóficas sobre o ser humano, da Antiguidade às correntes contemporâneas, incluindo diálogos com tradições orientais. Mais que um complemento acadêmico, é uma formação essencial para resgatar a dimensão ética, espiritual e existencial da psicologia, muitas vezes ofuscada por reducionismos técnicos.
Com fundamentos filosóficos sólidos e aplicáveis à prática clínica, o curso fortalece a escuta e o cuidado com a alma humana. É uma resposta à crise de sentido do nosso tempo, defendendo que toda psicologia precisa de uma antropologia elevada para não se tornar cega ao essencial.
CONTEÚDO PROGRAMÁTICO
- O QUE É MESMO ISTO, A FILOSOFIA?
1.1 Uma breve história das histórias da filosofia
1.2 Filosofia, metafilosofia e antifilosofia
- A AMPUTAÇÃO DO HUMANO E A CRISE DE SENTIDO NA CONTEMPORANEIDADE
2.1 Da Esfinge ao Dr. Frankenstein: uma breve história do rebaixamento da psique
2.2 Subjetivismo, historicismo, psicologismo e os reducionismos antropológicos de nossa época
2.3 Da negação da metafísica ao horror à realidade
2.3.1 O surrealismo na arte contemporânea
2.3.2 O decadentismo na literatura contemporânea
2.3.3 A era das ideologias: o ser humano é religioso até quando não é
2.3.4 A substituição da realidade pelos discursos sobre a realidade
2.4 Filosofia Contemporânea: da Navalha de Ockham ao fechamento do humano na imanência
2.4.1 O humano na filosofia de Nietzsche: vontade de poder criadora no mundo do eterno retorno do mesmo
2.4.2 O humano na psicanálise de Freud: inconsciência, pulsões e conflitos em um mundo sem transcendência
2.4.3 O humano na filosofia de Heidegger: queda e finitude em um mundo sem fundamento
2.4.4 O humano na filosofia de Sartre: liberdade sem essência em um mundo sem sentido
2.4.5 O humano na filosofia de Camus: consciência do absurdo e revolta em um mundo sem significado
2.4.6 O humano na filosofia de Deleuze: fluxo imanente de desejo em um mundo sem finalidade
2.5 Niilismo: a náusea intelectual de nossa época
2.6 Diagnósticos da crise
2.6.1 Nietzsche: a “morte de Deus” e o fim da grandeza da vida humana
2.6.2 Durand: o “homem unidimensional” e o esvaziamento simbólico da vida humana
2.6.3 Guénon: o “homem quantitativo” e a desespiritualização da vida humana
2.6.4 Eliade: o “homo profanus” e a dessacralização da vida humana
2.6.5 Ortega y Gasset: o “homem-massa” e a deculturação da vida humana
- A CIÊNCIA SIMBÓLICA NA COMPREENSÃO DO HUMANO
3.1 A simbólica: uma ciência espiritual?
3.2 As funções do símbolo na compreensão do humano
3.2.1 O símbolo como intelecção superior
3.2.2 O símbolo como mediação entre consciência e realidade
3.3 As estruturas antropológicas do imaginário
3.3.1 Imaginação: a “louca da casa”
3.3.2 O regime diurno da imagem
3.3.3 O regime noturno da imagem
3.4 O mito: uma abertura para os mistérios humanos
3.5 Esotérico e exotérico: as duas chaves do conhecimento humano
3.6 Metafísica: a ciência do fundamento último das coisas
3.7 A psicologia do símbolo e o sentido espiritual da existência humana
3.7.1 A ética atemporal e seus símbolos
3.7.2 Do louco ao mundo: o Tarô como mapa da vida humana
- CONSCIÊNCIA, EU E TOTALIDADE: fundamentos espirituais da experiência humana
4.1 Antropogênese: a antropologia dos primeiros princípios
4.2 As raízes espirituais da consciência humana
4.2.1 A mônada: a unidade primordial da consciência
4.3 A “grande queda”, a perda da unidade e o esquecimento do Si Mesmo
4.3.1 O Tao como jogo de opostos da vida humana
4.3.2 O mito da Parelha Alada no Fedro de Platão
4.3.3 O mito do Éden e a expulsão do Paraíso
4.4 A constituição dialética da consciência na Fenomenologia do Espírito de Hegel
4.5 A constituição dramática da autoconsciência na filosofia de Schelling
4.6 A cisão do Eu e a tensão como estruturas da realidade humana
4.6.1 O Eu-consciência na constituição septenária das filosofias védica e egípcia
4.6.2 O Eu-consciência na constituição ternária da filosofia grega
4.7 Consciência: o olho aberto do Ser
4.7.1 A totalidade como horizonte último do Eu-consciência
a) Udjat: o “Olho Profundo” da filosofia egípcia
b) Ājnā chakra: o “terceiro olho” da filosofia védica
c) Ayn al-qalb: o “olho do coração” do misticismo islâmico
d) Oculus animae: o “olho da alma” do neoplatonismo
e) Ein auge: o “olho único” da teologia mística cristã
4.8 Consciência e percepção fenomenológica
4.8.1 O conceito de intencionalidade na fenomenologia de Husserl
4.8.2 As leis da Gestalt e a unidade como modo de ser da consciência
4.8.3 A consciência como símbolo da totalidade na psicologia de Jung
4.9 A vocação transcendental da consciência humana
4.9.1 Platão e o recurso do mito em seus diálogos
4.9.2 Pascal e o último passo da razão
4.9.3 Jung e o fenômeno da sincronicidade
4.9.4 A experiência psicodélica de William James
4.9.5 A função do satori na arte cavalheiresca do arqueiro zen
4.9.6 A função do samadhi nas filosofias do yoga
4.9.7 O êxtase místico como experiência viva de encontro com Deus
- A POSIÇÃO DO HOMEM NO COSMOS E A GUERRA COMO DESTINO HUMANO
5.1 A origem e o lugar do ser humano nos mitos de criação
5.2 Macrocosmo e Microcosmo: o homem como imagem de Deus nas antigas tradições sapienciais
5.3 A existência como campo de batalha nas epopeias heroicas
5.3.1 Ulisses e a luta para retornar à Ítaca
5.3.2 Arjuna e a luta para reconquistar Hastinapura
5.3.3 Moisés e a luta para chegar à Terra Santa
5.3.4 Dante e a luta para alcançar o Paraíso
5.4 As paixões humanas: o desafio da mente, das emoções e dos instintos
5.5 A “guerra interior” no Bhagavad Gita
5.5.1 O Eu Real e o desânimo de Arjuna
5.5.2 Dharma, karma e reta ação
5.6 Gohonzon: o espelho da luta interior no budismo
5.7 A guerra interior na filosofia grega
5.7.1 A guerra contra os Titãs na Teogonia e na religião órfica
5.7.2 O “bom combate” em Hesíodo e Platão
5.7.3 A alma como campo de forças em tensão na filosofia platônica
5.7.4 Scala amoris: a escada ascensional da individuação na filosofia platônica
5.8 O estoicismo: “se queres paz, prepara-te para a guerra”
5.8.1 O poder da vontade e o autodomínio como ideal humano
5.8.2 A apatheia como liberdade interior
5.9 Cristo: o arquétipo supremo do destino humano
5.9.1 A kenosis cristã e a morte do homem velho
5.9.2 Ordo amoris: a luta contra a desordem interior na filosofia cristã
5.10 A autoconquista espiritual na Alquimia Hermética Medieval
5.10.1 As fases da obra alquímica
5.10.2 A purificação, a ascese e a Pedra Filosofal
- O ENIGMA DE DEUS E A FÉ COMO PRINCÍPIO DE ORDEM EXISTENCIAL
6.1 A questão da existência de Deus na história da filosofia
6.2 Deus como abismo existencial na filosofia de Kierkegaard
6.2.1 O paradoxo como núcleo da experiência religiosa
6.2.2 Temor, tremor e a fé como salto para o absoluto
6.3 Deus como o “Absolutamente Outro” na filosofia de Rudolf Otto
6.3.1 O Mysterium Tremendum et Fascinans
6.3.2 A fé como percepção do numinoso
6.4 Deus como centro ordenador do mundo interior no pensamento de Mircea Eliade
6.4.1 O sagrado como eixo da existência humana
6.5 Deus como dimensão teologal da existência na filosofia de Xavier Zubiri
6.6 Deus como fundamento do Ser na filosofia de Paul Tillich
6.7 Deus como símbolo da ordem verdadeira da vida na psicologia de Paul Diel
6.8 Deus como função psíquica na psicologia de Jung
6.9 Deus como sentido último na psicologia de Viktor Frankl
6.9.1 A dimensão noética da pessoa humana
6.9.2 A fé como força de equilíbrio existencial
6.10 Sofrimento, morte e transcendência
Público-alvo: Estudantes e profissionais das áreas de Psicologia, Educação e Saúde Mental que buscam aprofundamento ético, antropológico e espiritual sobre o ser humano, o sofrimento e o sentido da vida.
- 16 de julho de 2026
- 30 de julho de 2026
- 13 de agosto de 2026
- 27 de agosto de 2026
- 10 de setembro de 2026
- 24 de setembro de 2026
- 8 de outubro de 2026
- 22 de outubro de 2026
- 5 de novembro de 2026
- 19 de novembro de 2026
- 3 de dezembro de 2026
- 17 de dezembro de 2026
Ronald Carvalho – professor de filosofia com especializações, mestrado e doutorado dedicados a estudar a filosofia da consciência e o simbolismo das antigas tradições espirituais. Sua abordagem parte da filosofia clássica, dialoga frequentemente com o existencialismo e com as principais correntes da filosofia oriental, e procura articular a psicologia atual com uma visão antropológica mais ampla e de dimensões transcendentes, como a fornecida pelo psicólogo analítico Carl Gustav Jung.