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	<title>Arquivos Aquaman - IJBA</title>
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		<title>Mitologia e Política em “Aquaman”</title>
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		<dc:creator><![CDATA[daniel daniel]]></dc:creator>
		<pubDate>Thu, 21 Mar 2019 02:56:49 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>Para o cinéfilo Junguiano, os filmes de super-herói são um prato cheio. Está na cara o DNA mito-poético desses filmes. The Flash? Mercúrio. Super-homem? Moisés. O Coringa? É uma variação sinistra do trickster, o malandro, o mesmo arquétipo de Loki, Perna-Longa, Papa-Léguas, etc. Outros personagens dos HQs saem diretamente da mitologia; é o caso de [&#8230;]</p>
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										<content:encoded><![CDATA[<p class="font_8">Para o cinéfilo Junguiano, os filmes de super-herói são um prato cheio. Está na cara o DNA mito-poético desses filmes. The Flash? Mercúrio. Super-homem? Moisés. O Coringa? É uma variação sinistra do trickster, o malandro, o mesmo arquétipo de Loki, Perna-Longa, Papa-Léguas, etc. Outros personagens dos HQs saem diretamente da mitologia; é o caso de Thor e da Princesa Diana, vulgo Mulher-Maravilha. Até o temível Thanos, vilão-mor do Universo Marvel, é uma corruptela de Tanatos; “morte” (Θάνατος) em grego antigo.</p>
<p class="font_8">
<p class="font_8">Mas algo acontece nos blockbusters norte-americanos, de 2000 para cá. Assistimos as desconstruções criativas dos contos de fada à la “Shrek”, “Frozen” e “Malévola”. Cresceu, em paralelo, a importância do subtexto político nos filmes de super-héroi. Lembram do tema central de “Pantera Negra”? Se isolar na tradição ou partir para a luta armada? T&#8217;Challa ou Killmonger? Ou “Mulher Maravilha”, que fez uma licença poética com a mitologia grega para passar a sua mensagem, para lá de atual, a respeito do empoderamento feminino.</p>
<p class="font_8">
<p class="font_8">No caso de “Aquaman”, o seu mito-base é o reino perdido de Atlântida. No conto de Platão, a Atlântida era uma superpotência naval fundada pelo deus dos mares, Poseidon. Era a mais avançada das civilizações, tendo o seu auge dez mil anos antes de Cristo. Acabou no fundo do mar por causa do pecado capital dos gregos: a hibris (orgulho excessivo), punida pelos deuses.</p>
<p class="font_8">
<p class="font_8">Em “Aquaman”, o sentido original da história foi trocado por uma analogia do conflito político que está no coração do mundo Ocidental. De um lado, uma esquerda pós-moderna que tem por bandeira as políticas identitárias. Do outro, uma direita que quer preservar o legado da nossa cultura, seja ele a moralidade judaico-cristã, o pensamento greco-romano ou as ideais de racionalidade e progresso do Iluminismo. Seja qual for a sua trincheira ideológica, uma coisa é certa: a dificuldade de dialogar com quem vota diferente da gente. “Aquaman” capta isso bem, com a sua mensagem de tolerância às diferenças. Vou explicar isso melhor nos próximos parágrafos. Pra quem ainda não viu o filme&#8230; Alerta: spoilers!</p>
<p class="font_8">
<p class="font_8">Vamos começar com o representante da “direita”: o Rei Orm (Patrick Wilson), vilão do filme. Ele é branco, loiro dos olhos azuis e racista. Ele despreza o meio-irmão, Arthur Curry (Jason Momoa) – vulgo Aquaman – por ser um &#8220;mestiço&#8221;. Orm é um tradicionalista assumido e mostra-se orgulhoso de sua ascendência real (só da linha paterna, diga-se). Tem espírito guerreiro e deseja restaurar a grandeza e glória da Atlântida. Para tal, quer unir os Reinos marítimos e se coroar o Mestre dos Oceanos. O seu objetivo último é invadir a superfície (nós) e acabar com a poluição dos mares.</p>
<p class="font_8">
<p class="font_8">Orm é uma paródia perversa do herói solar, a figura máxima da nossa civilização. Nesse século, a depender com quem você converse, ele virou o símbolo antiquado de um patriarcado revanchista. Digam-me: é tão difícil assim enxergar Orm como um Trump subaquático (&#8220;Make Atlantis Great Again&#8221;)? Reparem como os dois se parecem na sua boçalidade, no seu temperamento belicoso, na sua impetuosidade, na sua xenofobia? Até os portões da Atlântida lembram a fronteira entre o México e os Estados Unidos, lotada de carros, fortemente vigiada. Os próprios responsáveis pelo filme admitem a ligação entre essa cena e a relação tensa dos EUA com os seus vizinhos do sul.</p>
<p class="font_8">
<p class="font_8">Noutro espectro político temos Aquaman. Na sua história, elementos basilares dos mitos de origem de herói. Além da coragem, força bruta e uma bússola moral inabalável, Arthur tem uma genealogia 100% heróica: filho pessoas comuns e da realeza, sofre de abandono parental e tem um grande destino à sua frente. Até a sua relutância em assumir o trono é tipicamente heroica (leiam Joseph Campbell).</p>
<p class="font_8">
<p class="font_8">No entanto, “Aquaman” inverte a fórmula dos mitos heroicos num ponto importante. Arthur não herda os seus super-poderes do pai, Thomas (Temuera Morrison). Eles vêm da mãe, a princesa Atlanna (Nicole Kidman), poderosa amazona marítima. No mais, Thomas Curry é homem comum. E é um bom homem: acolhedor, amoroso, dedicado. Pode-se dizer que há uma inversão dos papéis tradicionais homem/mulher na trama: Thomas assume o lado “feminino” e maternal da relação e Atlanna é o lado “masculino” e combativo.</p>
<p class="font_8">
<p class="font_8">Talvez, por causa dessa herança matrilinear, a masculinidade de Arthur seja de um tipo menos apolínea e mais dionisíaca. Ou seja: mais selvagem, brincalhona, beberrona, meio antissocial. Até o seu poder (“falar com os peixes”) tem esse traço “natural”. Arthur conversa com tubarões, arraias, os habitantes do Fosso e até a criatura mais temida do filme: o Karathen. (Que tem voz de mulher: Julie Andrews, aquela de “A Noviça Rebelde”. Mais uma prova que o verdadeiro poder, no filme, flui das mulheres). Afinal, ele não é filho do fogo e do ar – ação e abstração – até pouco tempo elementos associados exclusivamente à simbologia masculina. Ele é, sim, filho da terra (Thomas) e da água (Atlanna), dois elementos tradicionalmente femininos.</p>
<p class="font_8">
<p class="font_8">Esse Arthur Curry recauchutado, inclusive, é bem diferente do Aquaman original. Aquele, sim, tinha um DNA mitológico forte. Era um filho da Grande Mãe: um puer típico, a lá von Franz, homem bobalhão, herói atrapalhado.</p>
<p class="font_8">
<p class="font_8">O par amoroso de Arthur no filme é a Princesa Mera (Amber Heard). Ela está longe de ser uma princesa da Disney. Como a mãe de Arthur, é uma mulher forte, independente, guerreira, que também foge de um casamento arranjado. E Mera não tem a mínima ideia de como ser uma lady. Numa cena passada na Sicília, em vez de cheirar o buquê de flores&#8230; Come-o.</p>
<p class="font_8">
<p class="font_8">Mais um dado curioso na relação masculino x feminino do filme. Fora Aquaman, as duas figuras masculinas positivas do filme servem a mulheres mais poderosas do que eles. Thomas representa o aconchego do lar pra Atlanna; e Vulko (William Dafoe), mentor de Arthur, trabalha em segredo para Mera, apesar de ser o conselheiro chefe de Orm. Esse último, claro, têm que ser o vilão do filme, já que ele demoniza a mãe por ela ter fugido de Atlântida. Já o Rei Neureus (Dolph Lundgren), pai de Mera, é uma figura ambígua. Apesar de ser aliado de Ohrm na luta pelos Sete Mares, ele dá ouvidos à filha, e consegue ser dissuadido no final que Arthur é a melhor opção para o trono.</p>
<p class="font_8">
<p class="font_8">Mera e Atlanna representam o poder de ação do feminino, reprimido por séculos a fio. É essa alma inquieta, forte, decidida é o que fez as duas salvarem Arthur, quando fim estava certo para Aquaman. Atlanna, quando Arthur ainda era um bebê; e Mera, quando Arthur vai ser derrotado por Ohrm. De certa forma elas são as verdadeiras heroínas do filme, porque conseguem salvar o próprio personagem principal.</p>
<p class="font_8">
<p class="font_8">É verdade que certos filmes captam o espírito de uma época. “Aquaman”, do seu jeito, é um reflexo dessa fase de transição política em que estamos, no Brasil e no mundo. Não cabe mim dizer se essa mensagem será datada; só o futuro decide essas coisas&#8230; Mas que venham mais filmes com essa mistura de passado e presente, eterno e atual, imaginário e realidade.</p>
<p class="font_8">
<p class="font_8">José Felipe Sá &#8211; Formado em Psicologia na Universidade Salvador (UNIFACS); Pós-graduado em Psicoterapia Analítica no Instituto Junguiano da Bahia (IJBA); Mestrado em Família na Sociedade Contemporânea pela Universidade Católica do Salvador (UCSAL); Fundador da Mythological Roundtable de Salvador/BA.</p>
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